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Então. Teve uma época, há uns anos atrás, que quem mandava nas listas de discussão de XF no Brasil era eu. *g*

Não, sério, é verdade. Podem perguntar pra Marcia. ;)

Aí, volta e meia, eu escrevia uma besteirada sobre algum episódio. E eu fiz isso com o Piloto.

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01X79 - The Pilot Episode
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Escrever sobre o Piloto agora é complicado. O conhecimento do que aconteceu depois, esses 7 anos de história, faz com que uma análise isenta seja impossível. Mas não impede que a análise seja feita assim mesmo.

Um seriado sobre paranormalidade. ETs, abduções alienígenas, mutantes, monstros, demônios, vírus desconhecidos, assassinos seriais com poderes sobrenaturais, o Piloto de XF abria as portas para o bizarro e o desconhecido retornarem à televisão em doses nunca antes experimentadas.

Dois agentes do FBI escalados para trabalhar juntos contra suas vontades, O crente e a cética, o humanista e a cientista, o psicólogo e a católica, XF trazia para a TV dois personagens tão complexos quanto a premissa do show em si. E o mundo não fazia idéia do que estava sendo criado.

Desde o início, Mulder e Scully são o motivo pelo qual assisto o seriado. Os casos sempre foram uma conseqüência. Por mais que eu ache os assuntos interessantes, é a caracterização dos personagens, a interação entre eles e as situações que os cercam que prendem a minha atenção. De cara eu aprendi que XF nos mostra a paranormalidade e o sobrenatural *a partir* dos pontos de vista de M&S, e logo no Piloto isso fica mais do que claro. O caso é (não)resolvido a partir da contraposição dos pontos de vistas diametralmente opostos de M&S. Simplificando, M&S investigam esse primeiro caso a partir de suas diferenças ideológicas.

Eu devo dizer que eu não acho o episódio essa coisa maravilhosa que muita gente acha. A começar pelas atuações de David Duchovny e Gillian Anderson -- que são muito ruins, passando pelo figurino horrível, o Piloto é apenas um episodio razoável. Talvez seja um episódio superestimado porque ele *promete* muito. XF era uma coisa inusitada quando começou, não havia nada parecido na TV, então um primeiro episódio de um seriado completamente diferente chama muita atenção.

Mas a apresentação dos personagens é maravilhosa. A primeira cena entre David & Gillian já mostra essa coisa incrível que acontece quando os dois estão em cena juntos. Só que é óbvio Mulder e Scully são estereotipados o tempo todo. Está certo que isso era mais ou menos o que o Chris Carter queria (crente x cética, estereótipos relacionados ao sexo dos personagens invertidos - Scully é forte, racional; Mulder é sensível e segue sua intuição), mas é muito mais agradável olhar para M&S lá pelo meio da 1a temporada, quando suas personalidades estão mais desenvolvidas, menos exageradas, e eles parecem menos "personagens" e mais "reais".

O caso investigado no Piloto é uma abdução típica, que serve para mostrar ao público onde Mulder e Scully enquadram suas opiniões sobre o que está acontecendo e sobre o mundo em geral. É interessante notar que Mulder faz de tudo para deixar a nova parceira desconcertada, e Scully apresenta uma inocência, uma total falta de desconfiança que chega a ser tocante. Enquanto Mulder nos é apresentado como um homem que não confia em ninguém, Scully está disposta a provar para o mundo a sua integridade, mostrando que está ali para resolver o caso, e dizendo a Mulder com todas as letras que ele deve confiar nela. E no fim ele acaba cedendo, e contando a história de sua vida - e o que aconteceu com Samantha - para uma Scully apavorada com 3 mordidas de mosquito em suas costas.

E é a partir daí que a gente percebe que a relação M&S vai ser extremamente complicada. Como eu disse antes, é difícil escrever sobre o Piloto agora, sabendo de tudo o que aconteceu depois, mas eu acredito que ali aconteceu um daqueles "cliques" que ocorrem de vez em quando entre as pessoas. A impressão que a cena das mordidas de mosquito e a posterior conversa na cama do Mulder sempre me deixa é a de duas pessoas entrando em sintonia uma com a outra, mesmo que inconscientemente. E apesar de todas as diferenças entre os dois.

Para falar a verdade, a impressão que fica é a de duas pessoas entrando em sintonia *contra a sua própria vontade*. Mulder não estava interessado num parceiro, ainda mais em uma que questionasse absolutamente todas as suas crenças. Scully também não devia estar muito satisfeita em trabalhar com Mulder (apesar dela dizer a ele aquele "I'm looking forward to working with you", isso me pareceu mais uma questão de educação do que a verdade. Não é possível que Scully estivesse feliz com o trabalho de destruir outro agente). Mas o fato é que, independente da vontade deles, alguma coisa aconteceu ali, e de repente, eles estavam trabalhando juntos, e a coisa estava funcionando.

A cena dos dois no cemitério, embaixo daquela chuva, com Scully às gargalhadas, é para mim o primeiro marco da parceria dos dois. Ali eles estavam resolvendo o primeiro caso juntos, e pelo menos pra mim, é ali que eles percebem que aquele vai ser apenas o primeiro de tantos outros casos.

-- Tissa

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...esperem só até eu postar sobre a vez que eu resolvi contar quantas portas o Mulder arrombou em toda história do seriado.
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